quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Um mundo ao qual não pertenço

Estava em um hotel, e passava na televisão "Central do Brasil" (um filme brasileiro que é muito bom, diga-se de passagem). Já havia assistido-o antes (há um bom tempo, na verdade), e naquela primeira vez eu passei mal. Não sei explicar, dá uma sensação estranha. Minha vida é feita de sensações. E às vezes, parece que eu vou para lugares onde não tem espaço pra mim, como uma viajante. E nesses lugares, embora ainda sejam aqui, planeta Terra e etc., eu me sinto diferente... Não sei explicar.
De qualquer jeito, sempre me senti assim quando vejo esse filme. E a sensação é horrível, me dá um desespero, me dá medo, angústia. Então não suportei assistir e resolvi dormir. Porém, não conseguia mais dormir. Não conseguia acordar daquele sonho, daquele mundo. Resolvi olhar pela janela. A vista era realmente muito legal, ver os carros passando (apesar de que eram 2h da manhã, haviam tantos carros), e era legal lembrar que as pessoas que estavam lá dentro tinham algum objetivo naquele momento, e tinham uma vida inteira para contar. Fiquei muito tempo vendo as luzes que saiam das ruas e se transformavam na única fonte de claridade do quarto escuro. Encostava suavemente meus dedos no vidro, e via a silhueta que se formava. Gosto da minha mão, apesar de às vezes não poder compreendê-la.
Então, olhando para a construção em frente, acabei encontrando o reflexo dos meus olhos. Levei um susto, porque, assim como minha mão, às vezes não consigo compreender meu rosto. Às vezes não, muitas vezes. Me bateu uma sensação de desespero, e me virei. E, infelizmente, acabei encontrando um espelho no outro extremo do quarto, e via a silhueta de uma garota que era... Eu. Não suportava olhar para o espelho, então me virei.
Depois resolvi deitar na cama e ouvir música (viva meu iPod nano!), e a música se infiltrou naquele pesadelo e me tirou de lá. Foi então que desliguei o mp3 e dormi.
Hoje, pensando nisso, é como se aquela sensação nem tivesse existido, não lembro como ela era. Mas eu sei que passei por aquilo. Gostaria de saber o porque de eu ser assim, mas tenho um pouco de medo também. E tenho medo de ser normal. Ser diferente é bem mais divertido.

~Venesigno.

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